sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Prepotência

Uma vez alguém me disse que o amor se resume em ações.
Não se trata propriamente de um sentimento, mas sim de atitudes, foi o que essa pessoa (por quem sempre senti - e sinto até hoje - um grande desprezo) disse.
E eu finalmente entendi. Com todas as suas futilidades e comentários inoportunos, o alguém passou alguma mensagem útil que toda a minha esperteza rara custou a interpretar.
(Talvez eu quase me arrependa de não ter me aproximado e absorvido outras coisas de igual valor. se eu não fosse tão arrogante, sem dúvida.)
Acho que ela tinha razão. O ser humano vive em conflitos com a concepção de amor: sentimento que tira a razão? antes ter razão ou emoção? e assim por diante...
Eu, com mais uma conclusão brilhante que provavelmente metade da humanidade já fez (e digo mais uma vez: EU deveria ter patenteado "O Segredo" antes que roubassem minha idéia. droga.), cheguei ao ponto de afirmar que o sentimento mais ordinário que haveria de existir não é racional e tampouco irracional. São atitudes que tomamos. A prova que perdemos só pra ir a uma apresentação idiota, o sono que interrompemos pra ir ao exercito (à toa), as noites acordadas pra checar o termômetro, a reunião cancelada pra levar o filho ao medico... seria racional, mesmo que por subconsciente. porque é impossível sequer atravessar a rua sem pensar em quem se ama (de verdade), mesmo sem saber que está pensando.
E é por isso que eu acho que pessoas incapazes de sentir amor próprio, são incapazes de amar, em geral. Como na aula de ecologia: "uma pessoa que coloca um cigarro na boca, que prejudica seu corpo de uma forma conscientemente estúpida e desnecessária, não tem a moral pra falar de meio ambiente. não sabe o que é ecologia."
São ações irracionais, mas não-egoístas. e se tem um momento que o estúpido ser humano consegue abrir mão do egoísmo é quando ele ama. sem-mentir, sem-trair, sem-escrúpulos, sem-vergonha.
É por isso que creio que amor platônico não existe. Não dá pra amar sem ser correspondido (amar de formas diferentes é outra coisa). E, quando a pessoa amada diz que vai embora, muita gente fica doida. É aceitável a tristeza de uma separação e justificável o não-deixar-partir. Quem diz que ama, mas quer ser nobre demais pra tentar impedir uma separação é irremediavelmente idiota.
Acontece que há uma notável diferença na reconciliação de quem sente amor e na de quem sente dependência. E isso faz uma puta diferença. Quem depende, depende da nicotina: é eufórico, faz mal, domina, cega, ilude, é insano. Faz com que você se vicie e fique fora de si quando acaba. É doentio.
Quem ama mesmo não grita sem motivos, não desrespeita (nem a sim mesmo), não desconfia, não agride. Ser pacifista não precisa fazer parte do perfil amante. não precisa existir uma ideologia: é tudo meio mecânico mesmo. E acho que os casais que nunca se separaram são os únicos que sentem esse amor absoluto: porque não existem brigas, apenas conflitos.



Se digo isso, é porque, hoje, eu te amo. (mesmo sabendo que não vai entender, anyway. mesmo sabendo que é só até amanhã, quando esquecermos, anyway)


"sei a verdade e sou feliz."

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