sexta-feira, 27 de junho de 2008

Bruna

De novo, seis da tarde.
"Seis da tarde é o horário mais vazio do meu dia.
Vazio porque é quando eu finalmente chego em casa. Chego, tomo banho, tomo um café bem amargo - não tanto quanto meu humor - e paro. estática. sem um bom compromisso, sem um bom programa de tv. nem os livros fiéis me demonstram fidelidade às seis da tarde.
Era diferente. as seis eu não estaria em casa. não. eu não me deixaria seduzir pelo charme que a angustia proporciona. as seis da tarde de um dia como outro qualquer eu estaria no cinema, num parque ou numa rua aleatória com uma companhia que me fosse válida.
Não digo isso só por dizer... é que... há anos escrevo e nunca me fui eu."
Uma vez me pediram uma história feliz, ainda que inventada, mas tenho essa: sem invenção alguma e que fez das minhas "seis da tarde" simplórias, as alegrias imensuráveis que uma pessoa simplória (e psdeudo-poeta), como eu, poderiam amar tanto a ponto de odiar.
Desde que minhas seis não são mais vazias, não tenho tido nem um segundo de inspiração: é só ser feliz e pronto.
E a história da felicidade se faz em três atos:
ato primeiro: ela é infeliz. Ato que já se lê no primeiro parágrafo de nossa introdução, ou mesmo no decorrer de-trás-para-frente da minha vida.
ato segundo: ele a salva. de tudo, em si. da monotonia, das drogas, de si mesma: a leva para o oásis de seu próprio deserto.
ato terceiro: ela atinge o ápice. ou talvez não. se sente importante, querida. talvez até faça uma piada.

E ainda tem o quarto ato, que não será escrito, pois é apenas a máscara que faz meus dias pesarosos.

Sampa

Cidade da garoa. MUITA garoa.
e não há lugar mais cinza e ordinário.
Tudo lá é cinza: paredes cinzas pichadas de cinza, pessoas cinzas num tom triste cinza-escuro, carros cinza, sujos, chuva cinza. o céu de lá é mais cinza do que o de qualquer outro lugar. o sol é cinza. E nada de deselegância discreta. só um cinza bem notável, mesmo.
A cor era tão intensa que quase me acinzentei.