Algum filósofo ou poeta já deve ter dito alguma vez: o ser humano tem tantos temperamentos, tantas personalidades, que às vezes sente dificuldade em saber quem é que está falando por ele no momento.
Dá pra entender? Talvez eu seja louca (e tenho quase certeza de que sou), mas algumas vezes - e devo enfatizar que essas não são deveras poucas -descubro em mim segredos tão obscuros que nem mesmo a pessoa que (a principio) melhor me conhece (seria esse meu namorado) faz a menor idéia de quem eu sou.
Uma vez li em algum lugar que todo dia a gente muda um pouco. a gente cresce, a gente aprende. Hoje foi um dia que, certamente, mudei muito. E já não sei se pra melhor... (mas, com certeza, tomei decisões tão complexas e reais que nem eu mesma as entendo perfeitamente em toda a sua irrealidade)
Essa foi a introdução para o assunto da vez: traição.
Paras as amigas mantenho a seguinte postura: se o cara for gostosão, pega. (não importa, de fato, seu estado civil...)
Mas todo mundo sabe (menos, talvez, as amigas para com quem pratico meu insistente discurso anti-fidelidade) que eu sou uma tremenda mentirosa. E escrevo aqui, pela primeira - e talvez última - vez sem o meu eu-lírico interferir. sem máscaras. e talvez sem opiniões.
Minha vida inteira (falo como se eu fosse madura o suficiente para ter vivido uma vida inteira mantendo uma opinião) encarei o assunto traição como sendo algo terrível. Trair alguém, e seja esse um parente, amigo ou cônjuge, sempre foi, pra mim, taxado como desumano, nojento e imperdoável. Aliás, é assim que encaro a ação até hoje. Nada a ver com tabus, nada a ver com amor. é apenas uma questão de filosofia minha. (mas isso fica pra próxima)
Foi quando, certa vez, eu disse à alguém importante o quanto eu desprezava traidores, que obtive a seguinte resposta: tudo merece perdão. você não sabe dizer o motivo da traição. você não pode julgar alguém assim...
É lógico que a minha filosofia maluca entrou em conflito com a resposta que ouvi... e é lógico que me mantive caladinha, porque todo mundo sabe que eu nunca exponho minhas idéias e nem minha personalidade. é sempre meu eu-lírico...
De qualquer forma, hoje me passou pela cabeça... "o que aconteceria, o que eu sentiria, se algum dia descobrisse ser vitima de uma grande traição??" Não tô falando do beijo que meu namorado pode ter dado na vizinha gostosa. Não tô falando do segredo que minha melhor amiga pode estar escondendo de mim. Não é nada disso. E quem me entende sabe do que quero dizer. É algo grande, que faria suas pernas tremerem, que faria com que todo o ar de seu pulmão se esvaísse, que te faria desejar estar dentro de um grande sonho.. só pra poder acordar e perceber que nada daquilo era real. um grande pesadelo, é o que é.
Meu professor de biologia disse que todo mundo é traído. pelo menos uma vez na vida. seja você quem for, vai ser alvo de uma (pelo menos uma, vai!) traição. Eu sempre acreditei nisso, mas hoje cheguei à conclusão de que a frase que ouvi do meu professor só é válida para as pessoas comuns. Porque hoje eu tive a certeza de que exceções existem.
Essas pessoas raras, com as quais você conversa e não pode deixar de exclamar aquele "uau!". pessoas que são realmente incríveis e que fazem parecer que tudo é mais fácil e que fazem a gente pensar que.... sei lá. viver talvez valha a pena. É uma pessoa assim (e você sabe de quem estou falando) que, por vezes, me faz pensar que, por um olhar daqueles que só aquela pessoa tem, eu seria capaz de dar o mundo inteiro. Essas pessoas, essa pessoa, é uma exceção.
E, minha filosofia por vezes tentada e abalada, hoje se confirmou: existe uma coisa, um alguém, um sentimento que seja (eu não sei ao certo) que nos impede de mentir, ferir, trair. O traidor, coitado, é apenas um pobre que nunca teve contato com uma sensação dessa que eu sinto, ou que não se pode dar ao luxo de se dizer raro. Ele, o traidor, é apenas mais um alguém vazio. mais um desses que faz com que o mundo seja um lugar... comum. (e não excepcional)
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
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