(Sábado, 29 de Setembro de 2007)
Crianças
De repente, quase começo a gostar daquelas duas pérolas que fazem das minhas tardes nubladas... ainda mais nubladas, na verdade.
Frases como: "se um filho meu perdesse um anel ou um colar muito caro, de minhas coleções (- gente rica tem coleção de jóia!!!), eu não sei o que eu faria... era bem capaz de vender a criança para poder comprar outro anel!" E a pérola número 2: "ah... um filho desses eu matava fácil..."
Eu odeio crianças (Marcelo que o diga! Tadinho...). Adoro bebês fofos -quando não choram- mas crianças são barulhentas demais, choronas demais, respondonas, babonas, desobedientes, bagunceiras, elétricas e, em sua maioria, mimadas. Prefiro mil vezes a minha Jackie, ou um cachorro, a uma criança. De verdade. Portanto, elas têm razão: quando eu tiver um filho (porque é isso que a sociedade espera de mim - a função da mulher é parir - uma idéia primitiva, mas permanente), caso ele destrua algo de valor na minha casa (e podemos apostar com a maior das certezas: ele VAI destruir. TUDO.) devo matá-lo. Porque crianças são pestes por natureza - não é por culpa dos pais. JAMAIS. - e com minha coleção extensa de colares caríssimos, ninguém mexe!!!!!
É, o Morato disse outro dia mesmo, mas eu não acreditei - tenho essa mania de(querer)ser ingênua. - As pessoas tendem a “coisificar” tudo. E um colar de pérolas torna-se prioridade se comparado a um filho (?)
É é... nosso querido e bem-amado materialismo. Não vivemos sem ti.
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(Domingo, 30 de Setembro de 2007)
Para Tudo Há Uma Primeira Vez (?)
É, minha matrix mostra-se cada vez mais ordinária.
Meu sábado foi maravilhoso: uma manhã feliz na feira hippie, um almoço ótimo com meus melhores amigos... e uma festa muito divertida!
Até que.
É, eu estava a pensar logo essa semana... senhor presidente, não quero uma economia estável e invejável.... senhores políticos, não quero alta na balança comercial. To pouco me lixando para a economia. Quero igualdade social. Isso porque não quero nunca mais passar pelo que passei. Não quero nunca mais ver um homem até então "igual" a mim, apontando uma arma pra um pai de família. Não quero mais ver as pessoas que mais amo chorar. Não me importo se perdi um celular, ou dez reais, ou até mesmo um carro. Só não quero que duas pessoas sejam capazes de, covardemente, controlar outras vinte. Não, não quero.
De que me adianta uma economia boa, de que me adianta grana pra comprar um tênis bacana, se eu não posso usá-lo fora (e nem dentro, pelo jeito) de casa? A questão não é segurança. Isso eu posso ter num condomínio fechado em Curitiba. O que quero é poder continuar minha vida, do jeito que eu quiser, sem ter que me preocupar. Não quero sair de casa pensando se devo ou não levar celular. Não quero ter que colocar cerca elétrica de nãoseiquantosmil volts no muro de dez mil metros de altura que cerca minha casa. Entende? Bom, dane-se...
como diria Caetano: "essa minha estúpida retórica terá que soar, terá que se ouvir por mais zil anos(?)"
É... eu não queria ter que agradecer pelo fato de ninguém ter se machucado, tampouco pela "gentileza" ou "bondade" dos senhores assaltantes (que se mostraram nada violentos - quase gentis), mas fico grata por ter dado tudo "bem".
Meu maior medo era perder minhas amigas choronas.
Meu maior lamento é tê-las visto chorando.
quinta-feira, 6 de dezembro de 2007
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